Olá caríssimos irmãos, a paz de Cristo e
o amor de Maria. Quero partilhar com todos um fato de minha vida, que apresento
como: “Deus, Eu e um Buraco”.
No dia 20 de julho de 2011, estávamos
preparando um acampamento para os jovens. Tudo estava indo muito bem. Jovens
empolgados, equipe pronta, tudo preparado para que acontecesse o evento.
No
mesmo dia, pela noite, aconteceria em Anhumas o ultimo dia de preparação da
equipe. E lá estávamos. Prontos para o acampamento. Existia em mim um misto
entre os sentimentos de ansiedade e cansaço, já que o dia tinha sido puxado por
conta dos preparativos. Momento finalizado. Eu, por ser o motorista, me vi
responsável por ir embora e trazer os jovens no dia seguinte. E nada, nada
tirava isso da minha cabeça: “é
necessário ser responsável.” Arrumei minhas coisas e saí.
Dei
carona a uma garota até Presidente Prudente. Conversávamos e tudo foi
tranqüilo. Deixei-a em sua casa e prossegui com o meu trajeto. O cansaço era
evidente, mas nenhuma aparência de sono. Ouvia música, cantava, conversava
comigo mesmo. E em uma parte do meu trajeto, o sono me abraçou. Perdi a direção
da Kombi que eu dirigia. Bati em uma placa, andei sobre uma parte da mureta de
proteção que se encontra na rodovia e caí de ponte.
Era
difícil reconhecer as coisas, o que me rodeava, os perigos que eu, mesmo sem
saber, enfrentaria. Tive um sentimento de perda. Me senti como alguém que
morreria ali naquele buraco.
Senti
frio, sede, fome... medo. O medo na verdade me dominava. E quando eu já me
desesperava por conta do forte medo que me consumia, me concentrei e me
coloquei em oração. Era difícil me concentrar, mas era necessário. Eu sentia
que Deus tinha algo pra falar comigo naquele lugar.
O
cheiro da gasolina tomara conta da Kombi, e não restava outra coisa a fazer do
que me lançar para fora. Soltei o cinto, sentei na beira da Kombi, e comecei a
minha primeira oração. Foi só então que descobri que tinha quebrado minha
perna. E ainda assim, continuei concentrado em minha oração. Percebi que eu
estava longe do chão, que onde estava era alto. Mas a oração me encheu de
coragem. Lancei-me para fora. Senti dor ao cair, mas me senti mais seguro,
salvo. Tive a certeza de que Deu me
segurou na queda. Deitei-me no chão e aguardei. O local onde caí, não era
visível. Passavam carros na ponte, mas ninguém podia me ver nem me ouvir. Não
vi alternativa a não ser continuar rezando. Cantei, gritei, (por um momento)
até me alegrei.
A
certa altura da madrugada, pus a mão no bolso e encontrei meu terço. Naquele
momento eu senti a presença de Deus muito forte. Foi um momento de total
entrega à vontade de Deus. Comecei rezar meu terço, com todos aqueles
sentimentos que poderiam me fazer desistir de rezá-lo. Meu coração sentiu uma
paz muito grande. Maria estava comigo naquele lugar. Era como se minha cabeça
estivesse apoiada em seu colo e ela me afagava, como se dissesse: ”filho, mamãe
está aqui”. Confesso que o meu medo não passou naquele momento. Ainda me
prendia às coisas que poderiam me rodear, os perigos daquele buraco escuro.
Terminei o terço, e o resgate ainda não chegara. Fui ficando agoniado, e o
desespero me encontrou novamente. Então decidi rezar mais um terço, para que
essa segurança de estar com Nossa Senhora não me abandonasse. Cansado, e com
sono, rezei o terço e pedi, com muita fé, para que toda aquela situação se
findasse com rapidez.
Qu0ando terminava o quinto mistério, olhei
para cima e vi o brilho de um “Giroflex”. Era o carro da concessionária que
cuida da rodovia. Ele parou para ver a placa que eu havia derrubado. Quando vi
as luzes, gritei por socorro, assoviei, o funcionário da concessionária
apareceu na beirada da ponte e me procurou com uma lanterna. Ele me encontrou,
ligou para o resgate e para a polícia. De lá de cima, me acalmou e disse que o
resgate estava a caminho. Logo chegou o resgate, e veio ao meu encontro. Uma
pessoa perguntou se eu estava bem, mas não estava a minha vista. Pediu o
documento, eu entreguei, e ele me disse: ”Olá Rafael, sou Jesus. Soldado da
polícia rodoviária”. Foi mais um sinal do amor de Deus. Em meio á mística de
tudo o que tinha acontecido, me recordei que fui resgatado por Jesus (mas não o
Soldado, o próprio Senhor). Em menos de 10 minutos, os paramédicos e o Policial
me tiraram daquele buraco. o buraco onde eu poderia ter gritado, chorado,
sofrido, e até mesmo morrido. Mas a minha escolha para aquela situação foi me
encontrar com Deus. Deus estava ali. Encontrei-me com Deus naquele buraco.
Fraternalmente
Rafael Marin


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