Saudações desde Angola,
Com grande alegria missionária que saúdo a todos os leitores. Partilho com você outra realidade da Igreja, uma realidade de missão com os desafios humanos pós guerra, na diocese de Lwena, província de Moxico, extremo leste de Angola.
A paróquia onde estou, São Bonifácio, abrange todo o município dos Bundas. Tem a matriz em Lumbala N’Guimbo, são 40.000km2, aproximadamente 400km em linha reta, com 20 comunidades que tem capacidade de serem paróquia, não pelas estruturas mas sim pelas necessidades, com isso não é possível dar atenção que deveria em todas as comunidades, afinal, sou o único padre na paróquia. Temos um catequista em cada comunidade, que coordena a vida pastoral fazendo encontros de oração, catequese, orienta o povo na medida do possível. Quando o padre vai para celebrar, aproveita para atender confissões, visitar doentes, reunir com a comunidade, animar, escutar, passar o dia com o povo. As celebrações são muito festivas, muitos cantos animado pelos corais. O povo é muito unido, fraterno um com os outros.
É um povo que sofreu muito com a guerra e ainda percebemos resquícios na vida de muitos que participaram daquela época marcante. Os desafios humanos são muitos. Aqui estou no lado leste de Angola, perto da fronteira com a Zâmbia, uma realidade muito pobre e distante dos grandes centros. Os desafios visíveis são: Educação - tem poucos professores, muitas comunidades não há educadores;Saúde - no município dos bundas não tem médicos residentes atualmente, contamos com a ajuda de enfermeiros;
Formação Profissional – carecem, poucos tem a oportunidade de sair e estudar. Um povo muito dedicado, capacitado, mas falta quem lhes ensine.
Desafio religioso – muitas ceitas vem surgiram após a guerra, com a ausência de padre por anos, caiu muito o número de católicos. A feitiçaria é muito forte e favorece uma fé intermediária.
Os meios de evangelização são precários, o que dificulta muito, lutamos a cada dia pelos meios. Nossa vontade supera as dificuldades, porem, nem sempre conseguimos atingir onde queriamos.
A igreja da matriz foi destruida pela guerra, ainda não foi reconstituida por falta de recursos, temos um pequeno barracão que usamos para missas, reuniões, formação, eventos etc. Um barração feito a pau a pique com adôbe, o chão é terra batida, os bancos são tábuas no chão, não temos luz, as missas são celebrada apenas a luz do dia.A Igreja tem como essência a Missão. Todo batizado é convidado a ser missionário de Cristo, propagador da Boa Nova. Em meio a tantas dificuldades, Deus tem sido generoso nas graças.
Por Cristo não vale a pena, vale a VIDA!
Deus abençoe.
Oração e solidariedade pelo povo Angolano.
Em Cristo,
Pe. Deivid Rodrigues Martins - Angola

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